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       GOIANA, 2008,          
 

 









CEBs e América Latina


O nome "CEBs"

C - Comunidade: integração de famílias que tem vivencia de fé cristã. Mulheres, homens, jovens, crianças que procuram viver relações fraternas de partilha, entre ajuda, solidariedade com mínimo de estrutura. São da mesma localidade, mesmo bairro ou rua, se organizam, definem e planejam suas atividades.

E - Eclesial: São Igrejas, procurando viver o projeto de Deus - Uma " Sociedade Igualitária". Participam cristãos, que se reúnem por causa da fé e de sua missa, em comunhão com os pastores e com toda a Igreja. Nas comunidades VIDA E FÉ se encontram. A realidade completa da vida do povo e de suas lutas é iluminada pela palavra de Deus - a "Boa nova" da libertação. Liberdade que atinge a pessoa humana; todo o povo e as próprias estruturas da sociedade. É libertação do pecado e de todas as amarras de escravidão. Celebram a Eucaristia, que é a força da caminhada.

B - Base: É de base porque é formada pelo povo simples que constitui a base da Igreja e da sociedade. Povo que se organiza e luta em defesa da VIDA, da JUSTIÇA e da IGUALDADE. Participa dos movimentos populares, organiza associações e sindicatos unidos aos idosos, sem terra, operários, excluídos, desempregados, mulheres, crianças abandonadas, alcoólicas. Valorizam os companheiros e abrem espaço para todos se manifestar.

Houve um tempo em que não havia muita necessidade de explicar o significado da sigla "CEBs". Fazia parte do imaginário e do vocabulário de muitos cristãos católicos. Suscitava entusiasmos e esperanças, assim como perplexidades e interrogações. Mas hoje, muitos nem se lembram mais dos difíceis e duros anos da ditadura militar no Brasil e nem participaram do processo de democratização. Foi naquela época que pipocaram, em todo o país, pequenas comunidades ligadas principalmente à Igreja católica. Querendo ou não, contribuíram de diferentes maneiras para o processo de democratização. Eram grupos de pessoas que, morando no mesmo bairro ou nos mesmos povoados, se encontravam para refletir e transformar a realidade à luz da Palavra de Deus e das motivações religiosas. Daí o nome de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Começavam também a reivindicar pequenas melhorias nos bairros, mas, ao mesmo tempo, iniciavam uma caminhada para tomar consciência da situação social e política. Queriam a transformação da sociedade. Inspiradas no método "Paulo Freire" de alfabetização de adultos, executavam uma metodologia que levasse da conscientização à ação. O prof. Faustino Luiz Couto Teixeira, especialista sobre o assunto, escreve que "nos anos 70 e início dos 80, falava-se muito no impacto da atuação das CEBs no campo sócio-político, enquanto geradoras de uma nova consciência das camadas populares e fator de grande importância no processo de libertação dos pobres." Em outras palavras, essas pequenas comunidades cristãs, de 20 a 100 membros, eram consideradas um novo sujeito popular (Petrini, 1984), capaz de reverter a situação de pobreza e apontando para uma nova sociedade mais justa e fraterna. Depois veio a abertura democrática e o fim da ditadura, houve a crise no Leste europeu e a queda do modelo socialista burocrático; houve a afirmação do capitalismo de corte neoliberal e também mais exclusão e pobreza. Foi na segunda metade dos anos 80 e nos anos 90, que as CEBs tiveram que repensar sua identidade. Mais especificamente no interior da Igreja Católica, as CEBs queriam rever uma estrutura muito piramidal, de cima para baixo. Incentivadas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), vislumbraram uma maior participação dos leigos e um processo mais participativo de tomada de decisões. Ao redor da imagem de "povo de Deus", que foi caracterizada pelo Concílio, as comunidades sentiram-se parte ativa na construção do Reino de Deus. Houve quem aplaudisse e quem desqualificasse essa atitude como algo que ameaçasse destruir a estrutura de dois mil anos da Igreja. Falava-se da prioridade do carisma sobre a instituição (L. Boff) e usava-se o método das ciências sociais para analisar a Igreja. Substituir a tradicional filosofia pelas ciências sociais representava o risco de introduzir a análise marxista dentro da Igreja. Começou-se, então, a falar do perigo comunista na Igreja e muitos ficaram alarmados. Até o Departamento de Estado Norte Americano pronunciou-se, contundentemente, através de dois documentos chamados "Santa Fé": "a Teologia da Libertação e suas células (as CEBs) representam uma doutrina política disfarçada de crença religiosa, com um significado antipapal e antilivre empresa, destinadas a debilitar a independência da sociedade frente ao controle estatal" (Santa Fé II).

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