APRESENTAÇÃO
A Igreja Católica teve um papel relevante em vários períodos da história a partir da
Idade Média. Com a Expansão Marítima, nos séculos XV e XVI, foi inserida na
história do mundo ocidental, sobretudo por meio de ordens religiosas, como os
jesuítas e franciscanos, espalhando sua doutrina por meio da educação
catequética.
Desde a sua estruturação, a Igreja Católica teve sua doutrina – Tradição,
Magistério e Sagradas Escrituras – sistematizada segundo teologias que se
fechavam na argumentação teórica, não sendo compartilhada ou vivenciada pela
massa da população de fiéis, que durante muito tempo ficou à margem da história.
O período da década de 1960 foi marcado pelos reflexos do avanço do
neoliberalismo pelo mundo, deixando na América Latina seus efeitos perversos,
intensificados pelas sucessivas ditaduras a que os países foram submetidos. Este
fato predispôs o desenvolvimento de uma nova teologia, a Teologia da Libertação.
Seu diferencial está em apresentar uma teologia “embasada na dura vida do povo
latino-americano”1; em um Cristo que opta pelos pobres; numa evangelização
efetiva, onde a teologia não teria razões de existir sem a prática.
Entendemos ter sido a ação da Teologia da Libertação, durante as décadas de 60,
70 e 80 do século XX, um momento de ruptura na Igreja com seu passado de
opressão e exclusão das minorias. Esta é uma questão polêmica que causou certo
abalo às estruturas da Igreja, pois teria possibilitado o desenvolvimento de uma
consciência política entre as classes mais pobres de nossa sociedade. Os diversos
tipos de censuras impostos aos teólogos da libertação provocaram repercussões
negativas, diminuindo sua influência dentro das pastorais e, conseqüentemente,
ratificado o poder hierárquico da Igreja Católica no Brasil.
A presente pesquisa se propõe analisar a antítese gerada pela Teologia da
Libertação durante o regime militar; o discurso oficial da Igreja apresentado como
libertador e seu posicionamento quanto à ação desta teologia. Contextualizaremos
o desenvolvimento da Teologia da Libertação em seu momento histórico,
apontando as principais características desta teologia. Identificando assim o
posicionamento político da Igreja na América Latina durante as décadas de 70 e 80
do século XX.
Por fim, avaliaremos as conseqüências da ação da Teologia da Libertação na
Igreja Católica no Brasil. As questões essenciais para a compreensão deste
fenômeno serão analisadas em que, nos quais verificaremos: As razões
que incentivaram o surgimento da Teologia da Libertação; A estrutura e o
desenvolvimento da Teologia da Libertação; A questão referente à censura e
perseguição dos membros da Teologia da Libertação no Brasil, por parte dos
militares de a própria Igreja Católica.
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